{"id":13110,"date":"2024-07-23T20:17:00","date_gmt":"2024-07-23T23:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/?p=13110"},"modified":"2026-03-03T20:20:25","modified_gmt":"2026-03-03T23:20:25","slug":"cafe-agro-30-anos-de-cpr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/cafe-agro-30-anos-de-cpr\/","title":{"rendered":"Caf\u00e9 Agro &#8211; 30 anos de CPR"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n\n\n\n<p>PARTICIPANTES:&nbsp;<br>BRUNO DE QUEIROZ (Moderador, s\u00f3cio da HQR Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda);<br>CAIO OLIVEIRA (Debatedor, Lider de Ativos Rurais da ITN Capital Gest\u00e3o de Ativos Ltda);&nbsp;<br>HERBERT KUGLER (Debatedor, s\u00f3cio da Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados);<br>SILVIA BESSA RIBEIRO (Debatedora, advogada do Banco do Brasil S.A.);&nbsp;<br>VIT\u00d3RIA DE CARVALHO GOMES (Relatora, advogada da AJ Ruiz Consultoria Empresarial S.A.)<\/p>\n\n\n\n<p>PALAVRAS-CHAVE:<br>C\u00e9dula do Produto Rural (\u201cCPR\u201d) &#8211; 30 anos de CPR \u2013 CPR f\u00edsica \u2013 CPR financeira \u2013 Produtor Rural \u2013 Agroneg\u00f3cio &#8211; Lei 13.986\/2020 \u2013 Recupera\u00e7\u00e3o Judicial de Produtor Rural \u2013 Lei 11.101\/2005 \u2013 Lei 14.112\/2020.<\/p>\n\n\n\n<p>SUM\u00c1RIO:&nbsp;<br>1. Introdu\u00e7\u00e3o<br>2. Debate<br>3. Considera\u00e7\u00f5es Finais&nbsp;<br>4. Conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Em 11 de julho de 2024, o TMA Brasil promoveu mais um evento online da s\u00e9rie \u201cCaf\u00e9 Agro\u201d que teve como tema \u201c30 anos de CPR\u201d. A transmiss\u00e3o aconteceu atrav\u00e9s do YouTube (dispon\u00edvel em:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JeE3T6QIIK4&amp;t=1880s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JeE3T6QIIK4&amp;t=1880s<\/a>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O debate, moderado por Bruno de Queiroz (\u201cBruno\u201d ou \u201cModerador\u201d), s\u00f3cio da HQR Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda, contou com a participa\u00e7\u00e3o de Caio Oliveira (\u201cCaio\u201d ou \u201cDebatedor\u201d), L\u00edder de Ativos Rurais na ITN Capital Gest\u00e3o de Ativos Ltda; Herbert Kugler (\u201cHerbert\u201d ou \u201cDebatedor\u201d), s\u00f3cio da Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados; e Silvia Bessa Ribeiro (\u201cSilvia\u201d ou \u201cDebatedora\u201d), advogada do Banco do Brasil S.A., como debatedores e Vit\u00f3ria de Carvalho Gomes, advogada da AJ Ruiz Consultoria Empresarial S.A., como Relatora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s as apresenta\u00e7\u00f5es e agradecimentos iniciais, o debate foi conduzido pelo moderador Bruno de Queiroz.<\/p>\n\n\n\n<p><br>2. Debate<\/p>\n\n\n\n<p>Ao introduzir o tema, o moderador fez breve contextualiza\u00e7\u00e3o sobre a trajet\u00f3ria da C\u00e9dula do Produto Rural (\u201cCPR\u201d) ao longo de seus 30 anos. Ponderou que a CPR f\u00edsica foi institu\u00edda no ano de 1994, atrav\u00e9s da Lei n\u00ba 8.929, cuja forma de pagamento era a entrega do produto, sendo que, no ano de 2001, com o advento da Lei 10.200 (ambas chamadas de \u201cLei da CPR\u201d), surgiu a CPR financeira, hoje o instrumento mais utilizado para financiamento do ramo. Elencou que, na evolu\u00e7\u00e3o do segmento, as altera\u00e7\u00f5es da Lei Agro nos anos de 2020, com a Lei n\u00ba 13.986 (\u201cLei Agro\u201d), e em 2022, com a Lei n\u00ba 14.421, ampliaram o rol de itens que podem ser financiados por uma CPR, al\u00e9m de ter institu\u00eddo a \u201cCPR Verde\u201d. Ao final, destacou que, conforme relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio da Agricultura, a CPR financia grande parte, sen\u00e3o a grande maioria, da produ\u00e7\u00e3o rural no Brasil, visto que o estoque de CPR para maio de 2024 totalizou a import\u00e2ncia de R$ 340.000.000.000,00 (trezentos e quarenta bilh\u00f5es de reais).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Feita essa contextualiza\u00e7\u00e3o, o moderador deu in\u00edcio ao debate, indagando aos painelistas sobre como tem sido a utiliza\u00e7\u00e3o da CPR pelo produtor rural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Convidado para as exposi\u00e7\u00f5es, o debatedor Caio iniciou sua fala expondo que, de fato, a CPR financeira \u00e9 o instrumento mais utilizado pelos produtores rurais para obten\u00e7\u00e3o de recursos de financiamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Exp\u00f4s que a evolu\u00e7\u00e3o do instrumento acompanha o aperfei\u00e7oamento dos fatores do Sistema Nacional de Cr\u00e9dito Rural (\u201cSNCR\u201d), criado no ano de 1965, e as diversas pol\u00edticas que culmina em seguran\u00e7a ao produtor rural na capita\u00e7\u00e3o de recursos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Recordou que, nas d\u00e9cadas de 1960 e 1970, a oferta de cr\u00e9dito era ampla, com juros negativos, resultando em uma disponibilidade de recursos relativamente favor\u00e1veis para o produtor rural. J\u00e1 nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, o cen\u00e1rio alterou-se com a escassez do cr\u00e9dito rural ante a infla\u00e7\u00e3o que assim como todos os setores econ\u00f4micos do Pa\u00eds, tamb\u00e9m atingiu o agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o debatedor Caio, a cria\u00e7\u00e3o do real e da CPR no ano de 1994, criou cen\u00e1rio de maior estabilidade e seguran\u00e7a jur\u00eddica e financeira ao produtor rural, com acesso a cr\u00e9dito independente do Estado, diretamente com seus fornecedores e institui\u00e7\u00f5es financeiras de forma r\u00e1pida e pr\u00e1tica, o que em sua vis\u00e3o \u00e9 de grande import\u00e2ncia para garantir que a produ\u00e7\u00e3o se concretize na \u00e9poca e no momento adequado, at\u00e9 pelo fato de essa ser uma caracter\u00edstica do instrumento. Isto \u00e9, o prazo da CPR \u00e9 geralmente limitado a um ano, variando conforme a cultura vinculada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, onde os principais mercados agr\u00edcolas (como gr\u00e3os, soja e milho) s\u00e3o dominantes, \u00e0s CPRs frequentemente est\u00e3o vinculadas ao ciclo de safra. Isso significa que o t\u00e9rmino da safra coincide com o encerramento do instrumento, garantindo assim a liquidez necess\u00e1ria para o produtor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Caio acrescentou que ao longo dos anos, a CPR evoluiu significativamente, especialmente a partir dos anos 2000, quando a vers\u00e3o financeira do t\u00edtulo expandiu o acesso dos produtores a novas linhas de cr\u00e9dito. Essa modalidade permitiu que o mercado de capitais se aproximasse do agroneg\u00f3cio, atraindo novos investidores interessados em financiar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola atrav\u00e9s do cr\u00e9dito privado. Mesmo com a introdu\u00e7\u00e3o de novos ve\u00edculos financeiros como CDCA, LCA, CRA e Fiagro nos anos subsequentes, a emiss\u00e3o de CPRs n\u00e3o diminuiu, mas sim ampliou o acesso para diversos investidores. Particularmente, o Fiagro, introduzido em 2021, abriu novas possibilidades ao permitir que pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas, incluindo estrangeiros, investissem no agroneg\u00f3cio tendo como lastro a CPR emitida pelo produtor. Isso resultou em no aumento significativo dos investimentos dispon\u00edveis para o setor, facilitando o acesso a recursos para produtores e empresas que operam na cadeia produtiva.<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto da reestrutura\u00e7\u00e3o judicial, Caio destacou que a CPR desempenha papel crucial ao oferecer um instrumento de financiamento com natureza extraconcursal. Isso significa que, mesmo em situa\u00e7\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o judicial, os investidores podem continuar a investir com maior seguran\u00e7a, aproveitando as garantias associadas ao t\u00edtulo, como penhor, aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, hipotecas e, mais recentemente, o patrim\u00f4nio rural de afeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalizadas as pondera\u00e7\u00f5es do debatedor Caio, o moderador passou a questionar sobre as garantias, quais esp\u00e9cies est\u00e3o sendo utilizadas e quais s\u00e3o eventuais dificuldades nas situa\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 insolv\u00eancia ou inadimpl\u00eancia de um t\u00edtulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Passada a palavra \u00e0 Silvia, inicialmente ressaltou que a CPR financeira hoje \u00e9 a mais utilizada, descrevendo de maneira suscinta a diferen\u00e7a pr\u00e1tica entre a CPR f\u00edsica e a CPR financeira. Sobre quest\u00f5es de garantia associadas \u00e0 CPR, destacou a import\u00e2ncia das garantias tradicionais como hipotecas, que contabilmente continuam sendo a melhor op\u00e7\u00e3o para a institui\u00e7\u00e3o financeira nas opera\u00e7\u00f5es agro. No entanto, acredita que, devido \u00e0 \u201cn\u00e3o sujei\u00e7\u00e3o aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial\u201d, essa modalidade talvez venha a se tornar uma op\u00e7\u00e3o mais aceita pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras no futuro, superando as dificuldades atuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Silvia ressaltou que, embora a recupera\u00e7\u00e3o judicial ofere\u00e7a um al\u00edvio tempor\u00e1rio, muitos produtores enfrentam dificuldades de acesso a cr\u00e9dito p\u00f3s-recupera\u00e7\u00e3o porque o rating passa para a classifica\u00e7\u00e3o de risco H, obrigando os bancos a provisionarem 100% do passivo, o que afeta negativamente as opera\u00e7\u00f5es futuras do produtor rural ou de seu grupo de empresas, sendo necess\u00e1rio buscar cr\u00e9ditos com custos mais elevados como o de Fundos de Investimento, mercado de capitais, etc. Ainda sobre as dificuldades, mencionou o produtor inadimplente que pede recupera\u00e7\u00e3o judicial com intuito de obter seus benef\u00edcios e se surpreende ao descobrir que, por exemplo, a hipoteca que foi dada em garantia por terceiro, n\u00e3o est\u00e1 sujeita aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, ou que a coobriga\u00e7\u00e3o dos avalistas permanece.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo a exposi\u00e7\u00e3o, o moderador inquiriu os debatedores sobre o tratamento de juros na CPR f\u00edsica inadimplida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O debatedor Herbert, enfatizou as complexidades legais em determinar \u201cquando\u201d e \u201cse\u201d os juros podem ser aplicados em tais circunst\u00e2ncias, levantando diferentes interpreta\u00e7\u00f5es sobre o tema. Herbert mencionou a necessidade de a\u00e7\u00f5es judiciais espec\u00edficas para executar a entrega f\u00edsica do produto, ocasi\u00e3o em que caberia ao juiz estipular multa por inadimplemento. Al\u00e9m disso, destacou a exist\u00eancia de entendimentos jurisprudenciais que, por analogia, equiparam a CPR \u00e0 C\u00e9dula de Cr\u00e9dito Rural (\u201cCCR\u201d), cen\u00e1rio que permite a cobran\u00e7a de juros de 1% (um por cento) ao m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>O debatedor mencionou que, em raz\u00e3o dessas dificuldades, o instrumento da CPR financeira foi concebido, demonstrando o m\u00e9rito da boa evolu\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o da CPR ao longo dos \u00faltimos 30 anos. Independentemente do porte do produtor rural, a CPR \u00e9 a opera\u00e7\u00e3o mais aceita no ramo.<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial, Herbert acrescentou que a lei excepciona a CPR f\u00edsica, cabendo ao produtor rural ter cautela ao fazer sua distin\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 CPR financeira, conhecendo tamb\u00e9m eventuais garantias atreladas a opera\u00e7\u00e3o que possam tornar o cr\u00e9dito extraconcursal. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s garantias, Herbert destacou que a Lei da CPR possibilita a aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria de bens consum\u00edveis e fung\u00edveis, ao contr\u00e1rio do que estabelece a Lei 4.728\/1965.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ\u00eancia, a debatedora Silvia retomou a palavra, concordando com as dificuldades expostas por Herbert quanto aos juros legais, bem como com a necessidade de a\u00e7\u00f5es judiciais espec\u00edficas para executar a entrega f\u00edsica do produto, estipulando multa, corre\u00e7\u00e3o e juros em caso de inadimplemento. Ademais, considera que a multa morat\u00f3ria poderia ser prevista diretamente no t\u00edtulo, funcionando como uma penalidade pelo atraso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1, no que se refere \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial, Silvia destacou que a Lei Agro disp\u00f5e no artigo 11 que, cr\u00e9ditos e garantias cedulares vinculadas \u00e0 CPR com liquida\u00e7\u00e3o f\u00edsica, n\u00e3o se sujeitar\u00e3o aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial. No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (\u201cSTJ\u201d) firmou entendimento de que bens essenciais, s\u00e3o os bens de capital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Inobstante, a advogada mencionou que apesar de a lei ser clara quanto aos cr\u00e9ditos que se sujeitam ao procedimento, o assunto ainda \u00e9 objeto de pol\u00eamicas, inclusive, relatou a exist\u00eancia de julgado no Tribunal de Justi\u00e7a do Estado do Mato Grosso (\u201cTJMT\u201d) que entendeu que referida garantia de bens de consumo s\u00e3o essenciais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da atividade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Prosseguindo o debate, o moderador questionou ao debatedor Caio sobre os desafios para renegociar uma CPR.<br>&nbsp;<br>Caio apontou que o produtor rural recorre ao mercado de capitais, apesar do custo elevado, quando seu fluxo de caixa n\u00e3o sustenta mais a opera\u00e7\u00e3o, ou quando n\u00e3o det\u00e9m de produtos de colheita e garantias dispon\u00edveis para ofertar para \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras tradicionais. Neste ponto, destacou que o grande desafio do reestruturador \u00e9 demonstrar ao produtor rural e ao investidor, que a resolu\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de inadimpl\u00eancia deve passar por um conjunto de solu\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o s\u00e3o apenas financeiras, mas tamb\u00e9m de governan\u00e7a e gerenciamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, para o sucesso da opera\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que tanto o produtor rural quanto o investidor estejam dispostos a utilizar o instrumento da CPR como uma ferramenta capaz de garantir retorno positivo para as partes, isto \u00e9, com a resolu\u00e7\u00e3o da crise financeira. &nbsp;Ele observou que o inadimplemento e a crise financeira geralmente ocorrem em raz\u00e3o de fatores clim\u00e1ticos ou especula\u00e7\u00f5es equivocadas sobre o pre\u00e7o do produto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a palavra, o moderador direcionou os debatedores quanto \u00e0 formaliza\u00e7\u00e3o do registro das CPRs e a legitima\u00e7\u00e3o do produtor rural quanto ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial e emiss\u00e3o da C\u00e9dula do Produto Rural.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A debatedora Silvia iniciou suas considera\u00e7\u00f5es apontando que, nos termos da Lei da CPR, para validade e efic\u00e1cia do t\u00edtulo e seus aditamentos, dever\u00e1 ser realizado registro em uma entidade autorizada pelo Banco Central do Brasil (\u201cBacen\u201d), sendo atualmente dispensado o registro em cart\u00f3rio, salvo nos casos de garantia de im\u00f3veis que dever\u00e3o realizadas perante o Cart\u00f3rio de Registro de Im\u00f3veis (\u201cCRI\u201d), o que em sua opini\u00e3o gera um grande risco de aus\u00eancia de registro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 segunda indaga\u00e7\u00e3o, diferenciou legitimidade para emiss\u00e3o da CPR, de legitimidade para distribui\u00e7\u00e3o do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial pelo produtor rural. Salientou que, nos termos da Lei da CPR, a CPR pode ser emitida pelo produtor rural pessoa natural ou jur\u00eddica, inclusive aqueles que tenham como fun\u00e7\u00e3o social a industrializa\u00e7\u00e3o, com intuito de solu\u00e7\u00e3o financeira para o neg\u00f3cio. Por outro lado, a legitimidade para pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial do produtor rural prima pela transpar\u00eancia nos termos da Lei 11.101\/2005 (\u201cLRE\u201d), vez que, visando \u00e0 possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o coletiva, \u00e9 necess\u00e1rio atestar contabilmente sua atividade, requisito este defendido pela debatedora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Passada a palavra ao Herbert, foi elencada a import\u00e2ncia do registro das garantias, enfatizando que, na pr\u00e1tica, o credor muitas vezes atribui essa responsabilidade ao devedor, que n\u00e3o a cumpre. Ele argumentou que o credor e eventual cession\u00e1rio tamb\u00e9m deveriam tomar essa precau\u00e7\u00e3o, visto que a dilig\u00eancia do credor \u00e9 crucial para evitar discuss\u00f5es futuras com o devedor. Em rela\u00e7\u00e3o ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, o debatedor observou que, apesar da simplifica\u00e7\u00e3o para o produtor rural comprovar sua atividade, ainda existem os demais requisitos da LRE a serem cumpridos, sendo que as discuss\u00f5es sobre a elegibilidade do produtor para recupera\u00e7\u00e3o judicial envolvem considera\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e empresariais, como destacado por Silvia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apontou, ainda, a dificuldade do produtor rural em tomar a decis\u00e3o de requerer a recupera\u00e7\u00e3o judicial, principalmente pela falta de previsibilidade na produ\u00e7\u00e3o rural devido a fatores clim\u00e1ticos, o que pode for\u00e7ar o produtor ao pedido devido a penhoras e outras press\u00f5es financeiras, sem que haja um planejamento pr\u00e9vio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00faltimo tema, o mediador solicitou a opini\u00e3o de Caio sobre o futuro da CPR, o qual exp\u00f4s que sua expectativa \u00e9 que a CPR continuar\u00e1 sendo o principal instrumento financeiro para o setor. Apesar do conservadorismo, mencionou que a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao investimento no agroneg\u00f3cio \u00e9 um dos grandes sucessos da CPR, destacando o potencial das CPRs verdes, com a crescente preocupa\u00e7\u00e3o com cr\u00e9ditos de carbono e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. Caio enxerga um futuro em que a CPR estar\u00e1 consolidada e ser\u00e1 um instrumento ainda mais sofisticado.<\/p>\n\n\n\n<p>3. Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/p>\n\n\n\n<p>O mediador ressaltou a import\u00e2ncia da CPR para o funcionamento do agroneg\u00f3cio e mencionou o aumento das recupera\u00e7\u00f5es judiciais, que, em alguns casos, na sua opini\u00e3o, t\u00eam sido usadas como mecanismos de prote\u00e7\u00e3o patrimonial, em vez de reestrutura\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Herbert finalizou sua participa\u00e7\u00e3o destacando a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da CPR como um instrumento eficiente, sem mudan\u00e7as legislativas que possam prejudicar seu funcionamento. Ademais, mencionou que a recupera\u00e7\u00e3o judicial no setor rural \u00e9 natural devido \u00e0 natureza c\u00edclica do meio e \u00e0s recentes altera\u00e7\u00f5es legislativas. Ele acredita que o aumento no volume de recupera\u00e7\u00f5es judiciais \u00e9 uma consequ\u00eancia natural das mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o, mas que isso faz parte da evolu\u00e7\u00e3o do setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Caio concluiu ressaltando a import\u00e2ncia da simplifica\u00e7\u00e3o dos processos para o produtor rural e do fornecimento de solu\u00e7\u00f5es gerenciais, jur\u00eddicas e de governan\u00e7a para ajud\u00e1-lo na reestrutura\u00e7\u00e3o p\u00f3s-recupera\u00e7\u00e3o judicial. Ele acredita que a CPR tem for\u00e7a para continuar sendo o principal instrumento financeiro do setor rural, especialmente com as inova\u00e7\u00f5es e preocupa\u00e7\u00f5es ambientais em crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>4. Conclus\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>O debate evidenciou a import\u00e2ncia da CPR como instrumento financeiro no agroneg\u00f3cio e os desafios enfrentados pelos produtores rurais em contextos de crise financeira e recupera\u00e7\u00e3o judicial. A necessidade de uma abordagem cuidadosa e do cumprimento rigoroso dos requisitos legais para a solicita\u00e7\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o judicial foi amplamente discutida, assim como as perspectivas de evolu\u00e7\u00e3o e aprimoramento da CPR para atender \u00e0s demandas futuras do setor.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autor(a):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vit\u00f3ria de Carvalho Gomes<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Informa\u00e7\u00f5es do autor:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Advogada da AJ Ruiz Consultoria Empresarial S.A.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"190\" height=\"190\" src=\"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/vitoria_de_carvalho_gomes_advogada_aj_ruiz_administracao_judicial.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13112\"\/><\/figure>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARTICIPANTES:&nbsp;BRUNO DE QUEIROZ (Moderador, s\u00f3cio da HQR Assessoria e Consultoria Empresarial Ltda);CAIO OLIVEIRA (Debatedor, Lider de Ativos Rurais da ITN Capital Gest\u00e3o de Ativos Ltda);&nbsp;HERBERT KUGLER (Debatedor, s\u00f3cio da Thomaz [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2216,"featured_media":13111,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"episode_type":"","audio_file":"","podmotor_file_id":"","podmotor_episode_id":"","cover_image":"","cover_image_id":"","duration":"","filesize":"","filesize_raw":"","date_recorded":"","explicit":"","block":"","itunes_episode_number":"","itunes_title":"","itunes_season_number":"","itunes_episode_type":"","footnotes":""},"categories":[151],"tags":[],"class_list":["post-13110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conteudo-tma"],"acf":[],"featured_image_src":{"landsacpe":["https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02_copiar1-804x445.png",804,445,true],"list":["https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02_copiar1-463x348.png",463,348,true],"medium":["https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02_copiar1-300x300.png",300,300,true],"full":["https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/02_copiar1.png",804,804,false]},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2216"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13110"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13113,"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13110\/revisions\/13113"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13111"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/p3.rvinfo.com.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}